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LEONISMOS

13 de Maio, 2020

Primeiros Voos da Primavera

Leonardo Rodrigues

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Embora há muitos anos por Lisboa, continuo a sentir-me um rapaz do campo, especialmente com o desenrolar da primavera. Devem dizer melhor em inglês, mas é qualquer coisa como "podem tirar o rapaz do campo, mas não podem tirar o campo do rapaz" - mesmo com uma paixão imensa pela cidade. 

Durante este período de isolamento, saímos apenas para passear a cadela e ir ao supermercado. Felizmente, temos um parque maravilhoso ao lado de casa para estes passeios, onde passeamos ao lado de vários tons de verde e castanho, que se unem, com o compasso do cantarolar dos diferentes pássaros.

Têm sido estes pequenos passeios que tornam esta quarentena suportável psicologicamente e, tenho vindo a constatar, agradável. Ainda há uns dias descobri que neste parque , além de um refúgio para pássaros, existe uma reserva de pirilampos, que dão espetáculos lindíssimos de noite numa procura incessante por uma luz que os complemente.

Talvez pela proximidade, as virtudes do parque estendem-se aos bairros circundantes. 

Esclareceram-me recentemente que os casulos por baixo de uma varanda, e de onde provinham sons enigmáticos eram, afinal, ninhos de andorinhas. Hoje, no regresso a casa, deparo-me com uma atividade anormal de andorinhas ao pé dos mesmos.

Decidi parar para desfrutar da dança, não demorando a aperceber-me que não era uma coreografia qualquer, onde andorinhas adultas vão e voltam dos ninhos, como que a exibir-se - especialmente porque não levavam alimento. Estavam, na verdade, a fazer algo tão ou mais importante do que nutrir. As andorinhas adultas lançavam reptos para que as andorinhas mais novas saíssem do ninho, dessem às asas e voassem. 

Assim o fizeram, ora à vez, ora todas juntas, uma vezes com maior coordenação, outras com diferentes altitudes e muitas pausas para recuperar o pio. Isto é a vida da Primavera a acontecer por si. 

Ter a possibilidade de assistir a isto foi como se me trouxessem o campo de volta, ao mesmo tempo que memórias como a primeira vez que consegui andar de bicicleta sem as rodinhas - e que caí quando percebi que não havia ninguém a segurar; ou o parto da minha primeira cadela - , que soube tudo o que tinha de fazer, primeiro cortar os cordões umbilicais, depois limpar e aconchegar. Primeiro dar ferramentas, depois deixar ser.

Não somos assim tão diferentes dos outros seres, nem das estações. Estamos, quiçá, apenas distantes do instinto que é e que sabe, seja no campo ou na cidade. 

Ficará claro que filmar não é o meu forte, mas partilho convosco este momento que acrescentou algum animo a estes dias de confinamento. 

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