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LEONISMOS

07 de Julho, 2017

Obrigado, Cristina

Leonardo Rodrigues

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Aqui no blog, já agradeci ao 25 de abril e à cidade de Lisboa. Hoje é dia de agradecer a Cristina Ferreira. 

Ela, mais uma vez, e contra variadíssimos riscos, ousou, colocando na sua capa dois casais do mesmo sexo. Feito o teste, uma capa de um beijo sensual entre sexos opostos não choca, mas do mesmo sim. E porquê?

Porque a homossexualidade continua, por algum motivo, a ser diferente, um desvio à norma, uma aberração, uma calamidade, um prenúncio do fim dos tempos. Só que não é nada disso. É apenas amar pessoas mais parecidas.

Aparece dessa forma na cabeça das pessoas porque, a dada altura, um neurónio foi contaminado com a junção do conceito de mau ao de homossexualidade. Até aqui tudo ok, a minha mãe também me ensinou assim. Mas, quando me confrontei com isto, necessitei de questionar o neurónio infetado, algo que, uns anos depois, levou a uma aceitação da minha paneleirice crónica. 

Quando partilhei parte do meu percurso, fi-lo porque sabia que alguém ia precisar de ler. O agressor, o homem que ainda não o consegue dizer em voz alta, o rapaz que está quase a contar aos amigos, a mãe que lamenta não ter sido capaz de apoiar de imediato o filho, e a mãe que quer falar de bullying com os filhos. Não tive nenhuma reação negativa, e apenas me senti mais forte para continuar a ser eu próprio.

A Cristina Ferreira vai chegar àquelas pessoas onde a minha história, e outras antes de mim, não chegaram. A todos os públicos e a todas as mesas. Alguns dos tais neurónios vão ver o conteúdo questionado, e reagirão mal. É certo que o tabu, onde o é, deixará de ser e voltaremos a falar das coisas como são e que outrora foram às escuras. Só assim se procura saber mais, e só com mais informação se cura o país e o mundo. Por isso lhe agradeço, por nos fazer dar outro passo na direção certa. É preciso tomates.

 

 

3 comentários

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    Anónimo

    07.07.17

    O seu comentário disfarçado de opinião é dos mais homofóbicos (como você vai dizer: é a minha opinião) que eu li nos últimos tempos. Você está a tentar dizer de uma forma pseudo inteligente que a homosexualidade não é uma coisa natural quando existem milhões de homosexuais em todo o mundo? Diga-me uma coisa: a quantas pessoas nasce um braço nas costas em todo o mundo? Quantos siameses nascem colados em todo o mundo? Quantos gigantes nascem em todo o mundo? Quantos psicopatas existem em todo o mundo? Milhões? Utilizando o seu raciocínio depreendo que para si os ruivos não são naturais tem uma deficiência dermatológica qualquer e que portanto são aberrações da natureza. Para mim o que disse é exactamente igual. É só trocar a palavra homosexuais por pessoas ruivas. Se você quer descriminar o problema é seu está no seu direito de o fazer na sua privacidade mas não tente deturpar factos decorrentes da evolução científica só porque lhe apetece usá-los contra outrem.
    O que você fez não foi dar uma opinião nem nenhum esclarecimento científico. Foi colocar um grupo de pessoas num saco ao qual não pertencem. Pessoas que não tem culpa de terem nascido homosexuais assim como ninguém tem culpa de nascer ruivo ou ter olhos verdes só porque “todos sabemos” que a maioria tem olhos castanhos e cabelos castanhos. Ironia relacionada com religião: Ainda bem que na bíblia não está escrito que as pessoas de olhos azuis são consideradas filhos de algum demónio senão hoje em dia teria que andar com lentes de contacto castanhas – se é que me faço entender. Se bem que já ouvi falar coisas aode leve sobre canhotos mas nem quero ir por aí.
    Mas ainda assim vou mais longe: Imaginemos que de facto ser homosexual era uma doença. Não acha monstruosa a forma como alguns energúmenos pertencentes a esta sociedade do século XXI os tratam? Você acha que isso acontece porquê? Eles baseiam-se teorias como aquela que o senhor acabou de deturpar. Eles fazem isso porque não estão habituados a ver dois homens e duas mulheres beijarem-se. Sabe porque é que os homosexuais não se enojam por ver um homem e uma mulher beijarem-se? (pela lógica) Porque desde criança tão somente vêem isso. A única diferença entre a naturalidade homosexual e heterosexual é essa. A visibilidade que desde os primórdios dos tempos se deu a uma orientação sexual em detrimento de outra sem se perceber o porquê. Questões religiosas? Isso é muito grave.
    Agora em relação à “polémica das revistas” propriamente dita. A Cristina Ferreira é uma mulher que está a construir um excelente legado e isso é inegável. Como tal ela tem que ser uma pessoa arrojada e arriscar. Ela foi muito corajosa ao ter escolhido estas duas capas. Claro que todos dizem que é para fazer dinheiro - quando ela pôs o jogador Quaresma despido não houve este alarido - será que vendeu muito ou pouco? Esta publicação vai simplesmente vender o que tiver que vender. Se a capa é assim tão má como muitos dizem pela lógica não teria sucesso comercial porque ninguém queria saber, certo?
    Isto tudo para dizer que ainda bem que há pessoas como a Cristina que apesar de “quererem fazer dinheiro” (sim porque todos nós trabalhamos de borla) abordam temas que de facto são úteis para muita gente. Esta temática não é uma futilidade até porque vidas e o bem estar de pessoas estão em jogo. Estas publicações deveriam ser o início de uma mudança de mentalidades profunda para que nos tornemos numa sociedade mais saudável. Não é por não ver homosexuais beijarem-se que eles deixam de existir. Existiram, existem e continuarão a existir ao longo dos tempos mas desta vez mais felizes em comunhão com todos.
    Curiosidade: Ao escrever a palavra “homosexual” no meu portátil o corrector ortográfico sublinha a vermelho já a palavra “gay” não fica assinalada.
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    Fernando Saraiva

    07.07.17

    Achei interessante responder para anotar que a existe a questão genética em termos fisicos e em termos psicológicos.

    No seu comentário falou em genetica fisica, eu falo em genética em termos psicológicos. Não se trata de falar em malformações genéticas em termos fisicos, ou diferenças genéticas entre pessoas (cor de pele, cabelo, formação dos braços, pernas entre outros). Já a questão genética em termos psicológicos é "possivel" (não conheço comprovação) que a genética possa ter influencia tanto para a homosexualidade, como para a propensão de cometer adultério, assassinio, roubo, ser violento.

    Porém a genética não pode ser razão para nos deixarmos vencer pelo que está mal, para psicológicamente nos deixarmos vencer por tendências. Moralmente e conscientemente temos o dever de procurar ser pessoas de bem, morais, de lutarmos contra maus desejos e escolher, psicológicamente e na nossa consciência, aquilo que é certo. As relações homosexuais podem-se ter na medida em que o ser humano é "livre" de escolher. Agora serão as relações homosexuais... correctas? Só porque tenho liberdade... estará certo fazer isso?

    Só porque na natureza humana observamos homens a beijarem-se, homens a trair as mulheres (ou vice versa) não quer dizer que nós devamos definir isso como uma tendência e comportamento moralmente correto. Cabe-nos a nós, na nossa liberdade, escolher. Não quero dizer com isto que a minha escolha tenha que ser a dos outros. Mas cada um tenha bem ciente a sua escolha.

    Acho que não vale a pena acusar o meu comentário de homofobia, pois descrevi que isto não é uma expressão de ódio. Homofobia é expressão de ódio, desprezo na minha interpretação. Acaso dar opinião ou tentar aconselhar é desprezar?

    Acharia justo alguém acusar outro de "alodaxofóbico (ou medo da opinião dos outros) por uma pessoa dar a sua opinião? Acho que seria injusto, mas se alguém não soubesse exactamente o que significa alodaxofóbico talvez , e ignorantemente, chamaria outro por esse nome. Pois devemos saber o que são essas fobias ao certo.

    Aracnofobia é uma patologia de medo de aranhas. Se eu falo que não gosto de deixar as aranhas fazer teias no meu quarto e nos cantos da minha cozinha... já sou um aracnofóbico?

    Uma coisa é ser aracnofóbico outra é o "bom senso" de limpar e higienizar a casa.

    Uma coisa é dizer que a homosexualidade é uma desorientação sexual outra é homofobia ou "fobia" de homens que fazem sexo com outros homens.

    Uma coisa é eu dizer às pessoas para não se chegarem próximo de um abismo porque podem cair, e outra é acrofobia (ou fobia das alturas). Só porque digo ás pessoas para não se aproximarem de um abismo eu tenho obrigatóriamente fobia de alturas?

    Acho que isto são questões pertinentes.

    O meu comentário é basicamente para tentar abrir à discussão outros pontos de vista. Eu não escolho as opiniões por ninguém, as pessoas é que escolhem aquilo que acham melhor, na sua opinião. O debate pode ser importante para abrir horizontes. Fica por isso uma mera opinião ou reflexão.

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