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LEONISMOS

15 de Março, 2020

#FiquemEmCasa

Leonardo Rodrigues

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Pensei voltar ao blog por melhores motivos, mas vou falar do COVID19 porque, segundo os números, estamos a pouco mais de uma semana da situação de Itália onde, como na guerra, já têm de escolher quem vive e quem morre, ao mesmo tempo que têm dificuldade em armazenar todos os corpos. Este vírus vai mudar a forma como vivemos, pensamos o nosso espaço, trabalhamos e priorizamos coisas como a saúde, educação, alimentação e até, arrisco, as alterações climáticas.

É já inegável que o COVID se propaga com maior velocidade e mata mais do que a gripe, e que não enfrentávamos nada semelhante há pelo menos 50 anos.

Neste momento, a meu ver, com toda a informação que temos dos sucessos de Macau, Hong Kong  e Singapura, e o motivo do fracasso de outros, o Governo está apenas a adiar tomar medidas verdadeiramente restritivas e eficazes. Basta saber que, de acordo com Joaquim Ferreira da Faculdade de medicina, estimamos precisar de 5000 ventiladores e temos 500. Portanto cabe-nos a nós, se tivermos essa possibilidade, isolarmo-nos.

O tratamento, neste momento, consiste em aliviar os sintomas, mas não o conseguirão fazer para todos se não invertermos a curva JÁ, ONTEM. Na ausência de tratamento concreto, e com uma vacina a quase dois anos de distância, a atual escassez de recursos, a nossa maior arma é o isolamento social.

Se for verdadeiramente impossível ficarem casa, mantenham a etiqueta respiratória e as medidas de higiene adequadas, não viajem, evitem aproximar-se e cumprimentar pessoas - especialmente profissionais de saúde, ou alguém com notória infeção respiratória.

É tempo de organizar. Ligar 300 502 502 caso necessite esclarecer dúvidas relacionadas com a baixa por ajuda a familiares. Só em caso de sintomas, como febre, tosse, dores de garganta e cabeça, e falta de ar é que deve ligar para a linha SNS 24 - 808 24 24 24. Irão ser devidamente aconselhados. Por favor, não se desloquem fisicamente aos Centros de Saúde só com dúvidas e antes de triagem à distância. 

Se precisarem de ir ao banco, usem as plataformas online. Se puderem trabalhar a partir de casa, trabalhem. Se não tiverem de usar transportes públicos, não usem. Se precisarem falar com a família e amigos, caramba, alguns até têm mais do que um telemóvel. Se tiverem comida e medicamentos essenciais, não açambarquem. Ao açambarcar supermercados e farmácias, estão a criar oportunidades de contágio e sobretudo a impedir que outras pessoas tenham acesso a bens essenciais e medicamentos  - que esgotam rapidamente.

O paracetamol será como sempre um medicamento essencial para termos em casa, mas não precisam de comprar 100 euros desse artigo - como relatou-me uma amiga farmacêutica, já à beira da rotura, como os profissionais de saúde, com utilização das farmácias como supermercado.

É tempo também de serenidade, com certeza, é verdade. O vírus mata mais a população idosa, mas é egoísta da nossa parte não fazermos a nossa parte porque os outros é que serão afetados. 

Criei uma conta de Instagram @FiquemEmCasa, no seguimento do movimento "Stay The Fuck Home", como o meu contributo, em português, para este momento que exige tanto de nós.

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Ficar em casa, além dos benefícios óbvios na propagação de um vírus letal, permite-nos fazer coisas que temos adiado: conviver com a família, ler um bom livro, cuidar de nós, aprender algo novo. E, espero também, que nos faça perceber que fazemos parte de um todo precioso, frágil e esgotável. Como disse a Green Peace:

Quando a última árvore tiver caído,
quando o último rio tiver secado,
quando o último peixe for pescado,
vocês vão entender que dinheiro não se come.

A vida é mais importante. 

Informação em tempo real e de qualidade: http://www.cidrap.umn.edu/covid-19/maps-visuals

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