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LEONISMOS

20 de Julho, 2020

E se a Cristina fosse um homem?

Leonardo Rodrigues

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Pensei muito se escreveria sobre a mudança da Cristina para a "casa mãe", afinal de contas da última vez que ousei escrever sobre ela, agradecendo, no post Obrigado, Cristina, a internet caiu-me em cima - há uma grande sensibilidade em torno de deus, da comida e da Cristina. Mas cá estou eu a escrever novamente.

Há muito que sigo os passos da Cristina Ferreira, com apreensão e admiração. Vou começar por explicar a admiração, quando era mais novo, e posso dizer isto devido à idade ainda tenra, por vezes apanhava a dupla do Goucha e Cristina nas manhãs da TVI. A dupla era imbatível. Via-os porque, digam o que disserem, faziam magia acontecer dentro daquele formato, na televisão portuguesa. Ao Goucha admirava o emanar de confiança - que mais tarde, num supermercado, vi que é sempre assim, sem câmaras. A Cristina mostrava-me que é possível sermos tudo, da Malveira para as casas da maioria dos portugueses.

Isto foi importante para mim. Fez-me perceber, acho que aos 11, 12, nos confins da Madeira, num contexto não muito favorecedor, que se trabalhasse poderia ser quem quisesse. Não, não são responsáveis por tudo, mas foi sempre a figuras da televisão que fui buscar a inspiração e o acreditar que a realidade, por meio das ações, do conhecimento, da comunicação, altera-se. Uma das figuras mais importantes para mim foi  a Oprah e, quiçá, a Ellen Degeneres. Mas é a Oprah que para mim tem o percurso mais notável e que, no panorama português, só há uma pessoa que se lhe assemelha. Sim, é a Cristina. No mundo houve o Oprah effect, em Portugal - por agora - , há o Efeito Cristina.

E isto serve de mote para falar da minha apreensão. Quando soube da revista Cristina pensei, acho giro, mas em Portugal isto não será possível, só uma Oprah o poderia fazer. Estava enganado, ainda bem. Quando soube da mudança para a SIC pensei que não seria possível bater o Goucha sozinha. Errei novamente, e confesso que já estou como o Goucha, acho que qualquer coisa que a Cristina decida fazer ela consegue. 

Em Portugal, e corrijam-me se estiver enganado, não existe nenhuma mulher com um percurso igual. Acho que tem muito que ver com o facto desta coisa de uma mulher construir-se do 0, chegar exatamente onde quer,  infelizmente, ainda é estranho. Não é só porque a Cristina sabe o que está a fazer, é boa, tem uma equipa fantástica e o timing certo que estas coisas acontecem. Trabalha muito, e assim está a construir um império. 

Reparem que todos temos na boca "quem está mal, muda-se". Não posso saber se a Cristina esteve verdadeiramente mal em algum sítio com base no que leio, mas consigo entender que procurou estar melhor. Estar melhor pode significar muitas coisas, liberdade, instinto, dinheiro e poder. Ela, como todos nós, pode e deve procurar melhor, desde que não prejudique ninguém. É apenas isso que tem feito.

Criticam-lhe o salário, mas entendam que qualquer salário que receba significa que o sítio que lhe paga isso ganha muitas vezes mais - as ações da SIC que o digam. Criticam-lhe a ambição que, sejamos realistas, é um traço que só é verdadeiramente negativo se prejudicasse alguém. Criticam-lhe a voz, mas tornou-se numa das vozes mais importantes. 

Mas, e se fosse um homem inteligente, bonito, competente, com princípios, a querer estas coisas? A querer mudar para mais e melhor - seja isso o que significar - , a desejar poder e influência? Haveria problema? Por isso, convictamente, pergunto: a polémica seria a mesma se a Cristina fosse um homem?

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