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LEONISMOS

06 de Fevereiro, 2020

Desmistificar os problemas da ZER, Zona de Emissões Reduzidas, em Lisboa

Leonardo Rodrigues

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Eu sou o primeiro, ou segundo, a apontar o dedo a qualquer iniciativa que faça mal à cidade onde vivo.  A iniciativa ZER - zona de emissões reduzidas - da Câmara Municipal de Lisboa só faz bem. Como todas as coisas que fazem bem, é preciso explicar o porquê -  um pouco como explicar a sopa, às crianças.

Primeiro, temos de deixar claro o que poderá continuar a ter livre acesso: ambulâncias, veículos de pessoas com mobilidade reduzida, residentes, cuidadores, detentores de avença de estacionamento e garagens, carros elétricos e motociclos. Além destes, poderão estacionar: veículos de cargas e descargas, tomada e largada de passageiros e outros lugares especiais.

O dístico de residente tem o limite de dois registos por agregado familiar, é verdade. Se têm mais de dois carros, e vivem na baixa de Lisboa, os meus parabéns pelo dinheiro extra do carro que vão vender - e condolências pela perda.

Sobre a calamidade de um máximo de 10 matrículas de visitantes, por cada residente... Bem, quantos de vós, lisboetas, têm 10 veículos particulares diferentes com visitas, por mês? Se forem muitos, poderão conviver nas novas ruas sem carros, sentados num dos novos bancos à sombra de uma árvore recém plantada.

No que diz respeito aos danos para o comércio, sem querer ir buscar exemplos à Holanda nem à vizinha Espanha, pensemos na rua Augusta que também já teve carros a circular e hoje parece que foi feita para ser pedonal. O comércio, assim como os negócios locais, não morrem - florescem.

Quanto à loucura das ciclovias, ficou claro que os lisboetas aderiram assim que passámos a tê-las juntamente com uma oferta pública de bicicletas. Não é só por saber que as viagens de Gira ultrapassaram um milhão em 2019, mas porque também ando de bicicleta e vejo a diferença. Lisboa tem 7 colinas, contaram bem, ainda assim as zonas onde não é preciso um motor para circular abundam. 

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blog menos um carro

E se estão a perguntar que maldade vai a Câmara fazer, eu digo: devolver-nos a cidade. Com medidas que almejam reduzir a poluição do ar e sonora, com menos carros e mais transportes públicos; expansão da rede ciclável - 5,7km - ; mais árvores e arbustos; passeios mais largos, e ruas só para pessoas - 4,5ha de espaço pedonal; entre outras, explorem aqui.

Se tiverem oportunidade, apareçam nas sessões de esclarecimento/debates a anunciar, de forma a contribuir para melhorar este projeto, que só peca mesmo por ser tardio e por não abranger ainda mais zonas da cidade. Estarei por lá a fazer campanha por mais árvores. 

Poderá ser estranho, mas, recuando no tempo, podemos ver um Terreiro do Paço e uma Praça dos Restauradores que serviam de estacionamento. Já dizia o Pessoa, primeiro estranha-se, depois entranha-se. Só depois disto é que estaremos mais próximos do mérito da Capital Verde Europeia. 

 

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