Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

LEONISMOS

LEONISMOS

20
Set18

As relações não são para fracos

Leonardo Rodrigues

flag.jpg

 

Quando se escreve para os outros sobre as relações é sempre mais fácil falar sobre o lado cor de rosa com flores amarelas, mas deixamos - eu inclusive - as escritas do outro lado, apenas para nós, porque nos ajuda. Nem sempre são um texto inteligível e de agradável leitura, e talvez porque na verdade ninguém tem nada com isso. 

Quem diz que é bem mais simples ser solteiro e perseguir todos os pensamentos que aparecem na cabeça, tem a sua razão. As relações amorosas, tal como as nossas amizades, são de alguma forma um compromisso - uma coisa inventada por estes mamíferos que andam de pé - , e esta palavra parece medonha. Este compromisso não é estático, é um negociar constante, um ajuste de ideias, pensamentos e vontades. As relações são o meio termo por excelência. 

Vão existir dias em que não sabemos o que estamos a fazer, que nos esquecemos o que nos apaixona. Esquecemos que concordamos mais do que discordamos. Que as grandes coisas que fizemos - e fazemos - juntos são substituídas por todas as coisas pequenas que estão por fazer. Embora não existam dias iguais, por vezes parecem e fundem-se. Se acreditávamos que existiam coisas imperdoáveis, enganamos-nos. Há dias em que parece ser mais fácil sair porta fora. Mas também já foi mais fácil comer com as mãos, e agora come-se com talheres. 

Ficamos, não só pelo conforto, mas pela lucidez do que queremos e do que nos importa, pelo amor, carinho e amizade - sem medo de estarmos a perder alguma coisa. Porque criámos um espaço que não existe em mais lado nenhum. Porque os corpos sabem encaixar-se de noite. Porque por vezes olhamos para certas coisas e só um tem de verbalizar o que pensamos. Pode-se chorar, rir, sentir dor, partilhar os maiores disparates que nos apoquentam a alma e podemos despir-nos de todas as formas. Afinal de contas, as relações só morrem quando escolhemos morrer para as mesmas, sem ressuscitar. 

Já todos sabemos que não fazemos ninguém inteiramente feliz, e que nada nem ninguém o poderão fazer por nós. Ninguém nos pertence - a Oprah tem razão, é uma corrida desnecessária. Contudo, quando nos permitimos desenvolver este tipo de ligações, há aspetos das pessoas que se tornam um, mantendo a sua individualidade. Os casais que se mantêm no século XXI são uma verdadeira proeza da evolução.

 

 

 

Comentar:

CorretorEmoji

Comentar via SAPO Blogs

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

Sobre mim

foto do autor

Pesquisar

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Paula Ferreira

    Parabéns 😊 admiro a tua força. Beijinhos e continu...

  • Pedro Neves

    A transformação social começa por cada um de nós, ...

  • Nidia De Amim

    Bom diaEu só neta do doutor Albino de Menezes. A e...

  • Diana Rodrigues

    Como uma luva este texto. Ando a pensar arriscar n...

  • a tótó

    Há muitos meses que penso assim, não me apetece le...

Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
Copyrighted.com Registered & Protected 
HMLF-E7YY-MGTC-ZU7E